Julho´ 2010

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X Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros

De 16 a 31/07, na Vila de São Jorge, acontece a décima edição do Encontro de Culturas que trará dez etnias indígenas e diversas comunidades tradicionais.  

Na ocasião, a Vila de São Jorge, porta de entrada do 

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, que tem 

600 habitantes, chega a receber 30 mil visitantes.

De 16 a 31 de julho próximos, acontece um dos mais importantes eventos culturais do centro-oeste brasileiro.

 Através da Associação Comunitária da Vila de São Jorge (ASJOR), será a realizada a décima edição do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.

A Vila de São Jorge, criada por garimpeiros no início do século passado - mais precisamente em 1912 - vem promovendo, desde 2001, um importante e rico encontro de grupos de variadas manifestações culturais. Trata-se de uma grande festa para a cultura tradicional brasileira.  

 Entre os grupos e apresentações confirmados para esse ano estão a Caçada da Rainha de Colinas do Sul, Comunidade Kalunga, Congo de Niquelândia, Catireiros da Natividade, entre outros.
A comunidade chega a receber 30 mil pessoas em apenas duas semanas. Todos os hotéis e pousadas da Vila têm ocupação esgotada no período. Não há evento na região que mobilize tanto São Jorge como o Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.  

Além das apresentações de dança, folias e música, há rodas de prosas, oficinas, exposição fotográfica e mostras de vídeo. E, nesse ano, além dos grupos artísticos (veja relação abaixo), o Encontro realizará também a “Reunião da Comissão Nacional da Política Sustentável para Povos e Comunidades Tradicionais” (com representantes do Ministério e da sociedade civil que integram essa política), seminário “Diversidade Cultural”, “Reunião dos Pontos de Cultura do Centro-Oeste” (que reunirá representantes de 45 Pontos), e o “Encontro de Capoeira”.

   

O Encontro em dois momentos  

A programação do X Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros é composta por dois períodos:  

16 a 23/07 – ALDEIA MULTIÉTNICA

23 a 31/07 - ENCONTROS

 

A Aldeia Multiétnica receberá dez etnias indígenas. Esses grupos, que irão de diferentes regiões do País, se encontrarão em vários rituais de dança, música, pintura corporal, oficinas, discussões sobre temas de interesse, inclusão digital e mostra de vídeos feitos pelos próprios índios.  

Todas essas atividades acontecerão na Aldeia da Lua, espaço localizado a 5 km da Vila de São Jorge. As etnias participantes do Encontro são KAIAPÓ (PA), KRAHÔ (TO), AVÁ-CANOEIRO (GO), YAWALAPITI (XINGU), KAMAYURÁ (XINGU), XAVANTE, FULNI-Ô (PE), XERENTE, ASHANINKA (AC), DESSANA (AM) e INGARIKÓ (RR).  

No dia 23 de julho acontece a transição da cultura indígena para as tradicionais. Nessa data, os índios fazem uma corrida de tora até o centro da Vila de São Jorge e apresentam rituais de música em frente ao palco montado para a festa. Ainda no dia 23, a pernambucana Renata Rosa se apresenta na Vila.  

Nessa segunda semana de Encontro será organizada a “Feira de Oportunidades Sustentáveis”, que reunirá artesãos da região que trabalham com matérias-primas do Cerrado, especialmente. Haverá artesanato com sementes, móveis, produtos de aromaterapia, óleos e essências com ervas do Cerrado, pintura, cerâmica, patchwork, instrumentos musicais e roupas.  

 

Artistas confirmados  

Caçada da Rainha de Colinas do Sul - ritual de origem afro-brasileira, composto por 11 dias de folia a cavalo. Trata-se do culto ao Divino Espírito Santo e a Nossa Senhora do Rosário numa mesma festa.  

Catireiros da Chapada dos Veadeiros - o grupo se apresenta em várias festas de cultura popular da região, acompanhado dos Violeiros da Chapada.  

Catireiros de Natividade – formado por homens criados nas rodas de folia, cujos pais e avós também foram catireiros. As folias estão inseridas nos Festejos do Divino Espírito Santo e na Festa de Reis.  

Catireiros de São João D’Aliança - Dança tradicional em devoção ao Divino Espírito Santo e ao padroeiro São João Batista. O som da viola é acompanhado de diversos enredos e versos improvisados, em compasso com as palmas e o sapateado.  

Comunidade Kalunga - Fazem parte dessa celebração o hasteamento do Mastro do Divino, a coroação do imperador, a procissão, a espada do Império, as rezas e ladainhas; o encerramento é feito com foguetório.  

Congo de Niquelândia - Tradição afro-brasileira nascida no quilombo Xambá (GO). A Congada da Irmandade de Santa Efigênia é uma manifestação cultural e religiosa em louvor a Santa Efigênia e Nossa Senhora do Carmo; é o único no país a utilizar penachos na cabeça (por conta da aproximação com os índios Avá-Canoeiro).  

Turma que Faz - apresenta a opereta Crinaná com músicas de CD homônimo. Dança, teatro, música e cinema são utilizados na apresentação, coordenada pela musicista e arte-educadora Doroty Marques.  

Folia do Divino de Formosa – trata-se de uma das mais importantes folias do calendário da cidade Formosa. Parece um festejo, recheado de ritos, crenças, expressões estéticas, performances, rezas e danças regionais.  

La Fanfarria - O Grupo Corporación La Fanfarria é uma entidade cultural sem fins lucrativos criada no ano de 1972, na Colômbia. A companhia é patrimônio cultural do município de Medellín. Os membros do grupo são embaixadores da cultura colombiana em mais de 22 países da Europa e da América.  

Moacir - artista plástico local.  

Mundaréu - grupo criado em 1997 faz uso dos recursos culturais do povo brasileiro. A brasilidade do grupo está presente tanto na música, na dança, nas encenações e na poesia quanto nos bonecos, adereços e fantasias.  

Violeiros da Chapada - Vindos de Alto Paraíso, os violeiros da Chapada tocam a moda de viola de raiz, acompanhados pela sonoridade dos Catireiros da Chapada dos Veadeiros.  

Dércio Marques – Com letras relacionadas ao meio ambiente e às questões sociais, um dos mestres da viola mostra como a arte faz parte de sua vida. A infinidade de temas abordados é apresentada por meio de um repertório totalmente improvisado, escolhido de acordo com o público presente.  

Renata Rosa – Paulista radicada em Pernambuco, é cantora, atriz, compositora, poetisa e pesquisadora. Já participou de projetos como o Maracatu de Baque Solto Estrela de Ouro de Aliança, de Pernambuco. Seu trabalho é aprofundado em pesquisas culturais e sonoras nos estados de Pernambuco e Alagoas. Os cantos das rodas de coco, de maracatu rural-tradicional e do cavalo marinho foram temas de suas investigações. Diversas de suas canções não têm registro de direito autoral, são de domínio público, pois representam o canto do povo.  

Terno de Congo do Catalão – O Terno de Congo Vilão de Catalão (GO) faz parte da celebração da Festa de Nossa Senhora do Rosário que acontece há 140 anos na cidade goiana e reúne todos os Ternos de Congo, Catupé Catunda e Moçambique da cidade. Os festejos acontecem todo mês de outubro e seus sentidos originais são o louvor à Nossa Senhora do Rosário e a celebração aos antepassados africanos.  

Terno de Moçambique de Perdões - Liderados pelo Capitão Julio Antônio, os mineiros do Terno de Moçambique de Perdões se apresenta em devoção à Nossa Senhora do Rosário. Segundo o Capitão do Terno, em uma noite de lua cheia, Antônio Joaquim de Oliveira, o avô de Seu Júlio, ouviu dois escravos cantando debaixo de uma árvore. Achando a cantoria bonita, se aproximou do local. Essa aproximação deixou a dupla de escravos assustada, fazendo com que corressem para a senzala. O que os escravos não sabiam era que, na verdade, o avô de seu Júlio queria assistir de perto aquela dança, canto e gingado. Depois deste dia, Antônio Joaquim convidou os escravos para cantar e dançar em sua casa, o que mais tarde viraria o Terno de Moçambique de Perdões.  

 

A importância do Encontro Tradicional de Culturas

As diversas atividades culturais apresentadas no Encontro propiciam, pelos cinco sentidos, uma intensa apreensão e vivência profunda das riquezas da Chapada. Além de integrar mais fortemente as expressões culturais da região, promove o intercâmbio com realidades similares nacionais e com o que é produzido por artistas que atuam em áreas diversas e com diferentes linguagens.

Para cumprir esta tarefa de base, realiza a mobilização das lideranças tradicionais e a formação artística e cidadã das mais jovens, a exemplo do Projeto Turma que Faz, coordenado pela arte-educadora Dorothy Marques, para a discussão da realidade sócio-econômica dos Povos e Comunidades Tradicionais da Chapada. Atua também no fortalecimento das suas instituições e na introdução de novas formas de associação para a resolução dos problemas comuns, através da demanda de políticas públicas mais efetivas e próximas dos anseios da população local.

As dificuldades iniciais foram sendo superadas com essa atuação política mais incisiva, sobretudo na área da cultura, e com o aprendizado proporcionado pela criação do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial, gerido pelo IPHAN. Essa luta obteve, em grande parte da história do Encontro, o patrocínio da PETROBRAS, via Lei Rouanet, além de outros apoios institucionais, públicos e privados, como os recebidos, este ano, através do Ministério da Cultura. 

Outro destaque é o projeto “Cultura, Arte e Pensamento das Mulheres”, destinado a dar espaço a grupos de mulheres provenientes de diferentes matrizes culturais, de várias partes do mundo, por meio de rodas de prosa, cortejos, apresentações no palco e oficinas, dando voz a sua arte e ativismo nos movimentos sociais. Para essa mostra da arte e diversidade da cultura onde as mulheres são protagonistas, foram convidadas artistas do Brasil, América Latina, Caribe e Portugal.

Com a ascensão da cultura e da área social como campos estratégicos para as políticas públicas, uma série de outros programas, ações e projetos puderam ser acessados ou discutidos dentro do processo de organização do Encontro, como o Programa Cultura Viva (Secretaria de Cidadania Cultural), Identidade e Diversidade Cultural: Brasil Plural (Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural), Brasil Quilombola (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), Territórios da Cidadania (Ministério do Desenvolvimento Agrário), Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (Ministério do Meio Ambiente e Ministério do Desenvolvimento Social), o Turismo de Base Comunitária (Ministério do Turismo), o Economia Solidária (Ministério do Trabalho e Emprego), o Arteíndia (FUNAI), dentre outros inúmeros mecanismos. O mais importante foi o maior acesso a eles pela população da Chapada dos Veadeiros para a resolução dos seus problemas e para a afirmação de seu potencial natural e cultural. 

Sobre a Vila de São Jorge  

A Vila de São Jorge é um povoado em que moram cerca de 600 pessoas, localizada no norte do Estado de Goiás, a 35 km da cidade de Alto Paraíso e 240 km de Brasília. Criada por garimpeiros, em 1912, a vila é a porta de entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros - reserva ecológica com uma área superior a 15 mil quilômetros quadrados reconhecida como Patrimônio Natural da Humanidade, pela Unesco, em 2001. A região abrange oito municípios goianos: Alto Paraíso, Campos Belos, Cavalcante, Colinas do Sul, Monte Alegre, Nova Roma, São João d’Aliança e Teresina.  

A Vila de São Jorge teve sua povoação iniciada por garimpeiros em busca do cristal quartzo. A abundância do mineral atraiu garimpeiros de vários lugares, principalmente da Bahia. Formou-se, então, um grande acampamento chamado "Acampamento do Garimpão". Houve a alta do preço do cristal (impulsionada pela guerra) e logo depois a baixa (com o final da guerra e invenção do cristal sintético).  

Com a implementação, em 1961, da unidade de conservação do IBAMA, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros passou a ver o turismo como sua principal fonte de renda. No entanto, até o início dos anos 80, essa atividade não era realizada de maneira sistemática. Foi apenas depois da intervenção do IBAMA, que revitalizou o parque e iniciou atividades de educação ambiental e orientação da população local para receber a visitação pública, que a atividade estruturou-se definitivamente. 

Em 2001 o Parque Nacional ganhou da UNESCO o título de Patrimônio Mundial Natural.

 

Serviço

 

X Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.

16 a 31 de julho de 2010.

Vila de São Jorge, Alto Paraíso – Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

Entrada gratuita.

Mapa e informações adicionais em anexo.

Homepage: http://www.encontrodeculturas.com.br

Assessoria de Imprensa - Foco Jornalístico - (11) 3023.5814  - Daia Leide daiane@focojornalistico.com.br 

 

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